Bedford QLR
British Command Truck - 1/35
Peerless - 3509
Plusmodels - 155
scratch
(plástico e metal)
Histórico:
A Indústria de Veículos Bedford se interessou na fabricação de um caminhão 4x4 de 3 toneladas em dezembro de 1938, quando engenheiros da Vauxhall (uma empresa do mesmo Grupo) sugeriram desenvolver um caminhão 4x4 com capacidade off-road.
As grandes vantagens de um caminhão com tração total de serviços gerais (GS- General Services) para os militares eram evidentes e foi solicitada permissão ao War Office para a continuidade do projeto. Os detalhes do caminhão foram aprovados apenas um mês após a deflagração da guerra, em 1939 e o primeiro protótipo começou a ser testado no dia 1 de Fevereiro de 1940. Ele provou ser um grande sucesso, e com a perda dos veículos que tiveram de ser abandonados pela Força Expedicionária Britânica (BEF) em Dunquerque, a produção em massa foi ordenada em Fevereiro de 1941. O caminhão Bedford QL pode ser encontrado em todos os Teatros de Operações, em todas as batalhas e campanhas durante a Segunda Guerra Mundial, continuando a ser produzido durante toda a guerra.
Bedford-QL
Até o dia VE, foram construídas 52.245 unidades de caminhões Bedford,
com muitas variações de carrocerias aprovadas para uso no robusto chassi QL.
A letra código depois de QL indicava que tipo de carroceria era montada sobre
chassi. Por exemplo, QLB indicava que era um veiculo de reboque para o canhão
Bofors, QLR foram adaptados para o uso como caminhões Rádio
(Comando) e QLT para o transporte de Tropas. Veja alguns exemplos abaixo:

Bedford QLB – trator de canhão Bofors

Bedford QLB – trator de canhão Bofors, no deserto.

Bedford QLC – trator de canhão 6 libras, no deserto.

Bedford QL – caminhão tanque - RAF.

Bedford QL – com reboque de 6 toneladas.

Bedford QLC – ex-trator de canhão 6 libras, reconvertido para Tropas, na Normandia

Bedford QL – Consultório Odontológico.

Bedford QL Bombeiro.

Bedford QL com suspensão Bren Carrier- protótipo.

Bedford QL a gasogênio.

Bedford QL Oficina.
A produção total de 52.245 Bedfords QL ultrapassou todos os valores individuais para qualquer outro veículo britânico, na Segunda Guerra. Muitos veteranos se recordam com saudades do “canto” da caixa de velocidades do Bedford, da sua capacidade de se safar de situações difíceis em condições de cross-country, bem como da excelente visibilidade fornecida pela posição elevada do condutor montado na alta cabine. O QL continuou em serviço ativo durante toda a Guerra da Coréia e ainda estavam em uso em algumas forças armadas na década de 1970.
Bedford QLR:
Uma percentagem significativa dos Bedfords QL foi equipada com carrocerias tipo furgão, para funções de rádio, carros-comando, escritório e outros papéis. Originalmente montado no chassi / cabine QL, o tipo QLR foram logo colocados em produção, diferindo do tipo padrão em especial pelos equipamentos elétricos, tais como rádios, geradores auxiliares de 660 W e um reservatórios de gasolina de 120 litros, atrás da cabine.

Bedford QLR – Radio Command


Bedfords QLR – Radio Command
O interior da carroceria-furgão era bem mobiliado, sendo que a disposição dos equipamentos e dos rádios variava entre as diferentes funções.


Bedford QLR – Radio Command - interior.

Nos veículos com função de rádio-comando, uma tenda podia ser montada na retaguarda do caminhão. Entre a cabine e a carroceria, existiam alguns armários para equipamentos e transporte de ferramentas, alem de outros equipamentos. Abaixo do furgão existiam mais armários e prateleiras para cabos, jerry-cans, baterias, pneus, correntes, tanque de água potável, retificadores, caixa de ferramentas, tanque de combustível para o motor do gerador-auxiliar,entre outros itens.

Bedford QLR – Radio Command –Tenda externa lateral.
Os furgões eram produzidos por firmas como a Duple, Lagonda, Mulliner, Tickford e outros fabricantes menores, o que justifica a falta de padronização entre as carrocerias. Uma versão revisada da carroceria foi introduzida durante 1944 para o Comando High and Low Power e Wireless High Power. Este tipo de furgão revisado tinha uma tenda melhorada em forma de "L", que poderia ser erguida do lado direito do corpo.

Bedford QLR – Radio Command.

Bedford QLR – Radio Command - RAF.

Especificações Técnicas:
Origem - Grã-Bretanha - Bedford
Nome – Bedford QLR
Tripulação – Variável .; De 3 a 8 operadores.
Armamento – nenhum. Em alguns modelos, uma bren em uma abertura no teto da cabine.
Dimensões - Comprimento: 6,25 m; largura: 2,31 m; altura: 3,12 m. Distância entre-eixos: 3,60m
Peso – n/d.
Motor – Bedford 6cilindros em linha, a gasolina, refrigerado à água, com 3.519cc, desenvolvendo 72 cv a 3000 rpm.
Transmissão - caixa de marchas com 4 marchas a frente e 1 a ré, com caixa redutora de 2 marchas.
Suspensões – dianteira e traseira: molas semi-elipticas, com amortecedores hidráulicos.
Sistema eletrico – 12 volts
Freios – hidráulicos com assistência ä vácuo. Freio de estacionamento: mecânico, nas rodas gtraseiras.
Pneus – 10.50 x 20.
Manobrabilidade - transposição de rio: 40 cms. Raio de giro: 16,3 m
Produção: 52.245 unidades.
Os kits:
Existiram diversas opções de montagem deste kit, sendo que as formas foram injetadas pela Peerless (a que eu usei...), nos anos 70. Referência 3509.

O mesmo molde foi utilizado para injeção por outras companhias, tais como a Airfix, Italeri/Zvezda e a última foi a Revell. Infelizmente estão todas descontinuadas, sendo que o meu exemplar foi adquirido no eBay, em um estado semi-montado (uma pechincha, pois o chassi estava iniciado...). Existem rumores que a Revell vai relançar esta versão. Tomara...

De qualquer forma, TODAS as opções injetadas são do modelo QL Gun Portee, de cabine de lona. E para o modelo em questão, eu precisava da cabine metálica total. Para isto, adquiri um kit de conversão relativamente econômico, da Plus Model, deste modelo, também no eBay. Infelizmente, o kit de conversão do modelo completo QLR rádio é muito caro. Daí surgiu a idéia de se construir esta versão com plasticard e muita diversão... Olhem a foto a seguir da caixinha do modelo de conversão, na frente da prancheta de plantas que uso ao fazer meus projetos de scratch. Nesta prancheta, prendo plantas e detalhes que serão necessários para o projeto em questão.

A má notícia é que as fotos iniciais da adaptação da cabine de resina foram perdidas, mas as do detalhamento do furgão que é o mais interessante, não. Ufa!
O interior da cabine foi previamente pintado, como é comum nestes casos. Reparem que muitas peças em plástico ainda estão sem pintura (faróis, rodas, etc.)


Baseado nas plantas em três vistas desenhei o furgão-radio. Este trabalho deve ser executado com paciência e cuidado. Após esta etapa, transferi os desenhos para folhas de plasticard de 1 mm de espessura. Use caneta de retro projetor, para que as marcas do desenho não saiam com a manipulação do plástico.

Gosto de usar parafusos passantes para prender peças de mesmo tamanho e formato, para que o acabamento e corte entre elas seja o mesmo, em todos os sentidos. Eis as “cavernas” do furgão sendo cortadas.

Para facilitar, resolvi montar o meu furgão sem interior, apenas a carcaça externa. Não será necessário o detalhamento interno. Mas se alguém quiser se aventurar mais longe, entre em contato comigo, pois tenho toda a documentação. Repare que as laterais estão passando pelo mesmo processo das cavernas: parafusos passantes prendendo as peças, evitando movimentos. Os furos serão fechados com detalhamentos, posteriormente. Planeje esta etapa com cuidado...

Eu montei as rodas no caminhão, o que normalmente não faço, para permitir uma noção de proporcionalidade. No trabalho de scratch, isto é importantíssimo. Cortei o soalho do furgão, de acordo com as plantas:

É muito importante que haja um perfeito esquadrejamento de todas as peças envolvidas. O uso de um esquadro e de gabaritos que permitam a visualização de ângulos de 90° é fundamental.

O trabalho prossegue com os mesmos cuidados, nas outras paredes:

Não se esqueça de sempre conferir o seu scratch com as plantas disponíveis. Como eu não vou deixar o interior visível, optei em fazer uns reforços estruturais no interior do furgão:

E um dry-run do furgão sobre o chassi. Até agora, tudo beleza, com o desenvolvimento da construção.

As janelas serão revestidas com transparência de retro projetores, coladas com cola branca, mas primeiro vou dar um fundo escuro para o interior não ficar visível através das janelas:


Usei o máximo possível das peças do Bedford, da Peerless...Algumas modificações aqui e acolá e voilááá: Reparem no tanque de combustível reciclado...Ele saiu da lateral para o meio do chassi.

Mais algum trabalho com plasticard:

O porta-trecos foi recortado, para permitir o encaixe do estepe. E demais detalhes acrescidos na parede frontal do furgão.

A coisa tomando forma, com peças construídas em plasticard e reciclando peças da Peerles:


Existe coisa mais prazerosa do que isso, em se tratando de modelismo? Você trazer do nada um kit absolutamente autêntico?
Um dry-run do conjunto. Sempre teste e verifique os alinhamentos...

Do outro lado. Verifique se esta tudo correto, antes de fechar o teto do furgão.

Alguns detalhes construtivos. O rolo de fio foi executado com dois discos de plasticard unidos entre si por um tubinho e enrolado com um fio de cobre. A tira de contenção foi feita com a cobertura do Nescau e fio finíssimo de cobre, como fivela... O metal dpo Nescau também forneceu material para as dobradiças e fechos.

E, finalmente, podemos fechar o teto do furgão, com uma folha de 1 mm de plasticard. O veículo já está tomando a sua forma definitiva...

Agora, o mais complicado: o suporte do estepe. São diversos tirantes articulados que permitem a fixação e a remoção da grande roda sobressalente. Fiz uma cópia da roda da Peerles, para poder remover o cubo e dar uma aparência de estepe vazado. Os tirantes foram feitos com plasticard e, acredite, eles articulam, permitindo que o estepe seja removido para a pintura.

Observe, na seta 1, peças recicladas da Peerles, que seriam os suportes dos galões de água. Em 2, o suporte do estepe, articulado para fora, para receber o estepe. E em 3, a roda reproduzida em poliuretano, com o cubo aliviado e os furos das porcas passantes executados, além da cantoneira de plasticard e o pino de fio de alfinete de retenção. Observe as setas na outra figura...Mais detalhes...


E, falando em detalhes, vamos detalhar o teto do furgão, com peças de plasticard e de balsa.


Para encerrar, vamos trabalhar as lonas das tendas laterais enroláveis. Use fios de cobre e papel vegetal. Cole a borda do papel ao fio de cobre e deixe secar por uns instantes. Você vai dobrar e enrolar o papel neste suporte:

Agora, enrole o papel no fio, para aliviar a tensão do papel...


Mantenha o rolo formado por algum tempo. Depois, usando uma solução de cola +água, pincele o interior do rolo e use um pregador como pinça...


Enquanto o rolo formado seca, aproveite para amarrar a lona obtida com fios de algodão dobrados ao meio. Amarre com força, aproveitando que o papel esta macio pela cola, demarcando bem as regiões de amarração.

Você vai obter dois rolos assim:

Espere secar, teste no local e depois, pinte com a cor desejada... Legal, né?

E já que estamos fazendo lonas, faça o revestimento de lona do teto, usando os mesmos processos. Repare no rack executado com fitas finas de plasticard.

Faça as lonas dianteiras, usando fita-crepe como tirantes de fixação. Veja as setas abaixo:

O veículo será pintado agora. Mascare as janelas de transparência com fita crepe, tendo o cuidado de não as descolar no processo... Após a imprimação, pintura em tons de verde, com camuflagem típica da época, padrão Mickey Mouse:


Os detalhes foram todos pintados a pincel com extrema cautela. As decais são de minha caixa de sucatas, uma coisa inestimável. As grelhas que você vê nas alterais do furgão são peças em resina da PRM, que fazem parte do kit do Mamuth. Eu fiz uma forma e reproduzi diversas, para o fechamento dos furos do inicio da construção do modelo. As abas acima das janelas foram feitas de plasticard bem fino, e deram um trabalhão danado. As antenas foram feitas com agulhas de acupuntura e coladas em suas bases com cianoacrilato...
As mochilas e jerry-cans são de minha caixa de sucatas... A escada traseira foi executada com fios de cobre soldados entre si, com uso de ferro de solda eletrônico de baixa potência (de 40 W). Esta escada tem sua parte terminal articulada, dobrando para baixo e para cima. Isto foi conseguido com o fio de cobre sendo dobrado com alicate de bijuteria. Um pouco de trabalho, mas que compensa enormemente no detalhamento...Observe os mastros de antena na lateral direita do veículo: são varetas de solda cortadas em tamanhos iguais, mantidas por racks feitos de plasticard e estabilizadas com tirantes feitos de fita-crepe...




Conclusão:
Como não ficar satisfeito com um trabalho assim? Ver o kit se formar sob seus dedos, com pedaços de plástico, é uma das facetas mais agradáveis do plastimodelismo. O scratch é, sem dúvida, uma fonte de prazer inesgotável. E isto sem levar em conta a economia que você faz, tendo kits absolutamente fantásticos com uma fração do custo da aquisição das onerosas peças de conversão.
Ouse, crie, pesquise e tente. Seja um modelista, na acepção da palavra...Você verá que o nosso hobby pode ser ainda mais fascinante !