Studebaker Katyusha BM-13/16N - 1/35
scratch
Studebaker US6 - ICM - 35511
Katyusha Italeri - 6242
Histórico:
A Companhia Studebaker tem suas origens no século XIX, como uma empresa familiar dedicada a construção de carroças. Em 1852, Henry Jr. e Clement Studebaker abriram uma Ferraria em South Bend, Indiana.
Durante a Guerra Civil Americana, a Ferraria H&C supria o Exército Americano com suas carroças. Em 1868 quatro dos irmãos Studebaker fundaram a Studebaker Brothers Manufacturing Company.

Ferraria H&C Irmãos Studebaker
Apesar de alguns percalços, a Companhia cresceu para ser a maior fabricante Mundial de carroças, com o lema "Always give more than you promise."

Studebaker Wagon
A Studebaker evoluiu da tração animal para a mecânica, construindo carros elétricos e a gasolina. Em 1902, produzia o seu veículo elétrico e em 1904, o seu primeiro carro a gasolina. Os veículos elétricos pararam de ser produzidos em 1912, com a Companhia acertadamente comprometendo o seu futuro com a gasolina.

Studebaker elétrico, de propriedade de Thomas Edison
Em 1911, a Companhia passou a se chamar Studebaker Corporation, produzindo carros e caminhões, até o início dos anos 40, quando da entrada dos Estados Unidos na Guerra. A Studebaker imediatamente aderiu ao esforço de guerra americano, produzindo caminhões e motores de aviões (B-17) em suas instalações. Os produtos mais conhecidos da Studebaker são os seus caminhões 6x4 e 6x6 e o veículo anfíbio M29 Weasel.

Studebaker US6 6x6

M29 Weasel anfíbio
Os caminhões Studebaker foram produzidos em 13 versões, tipo 6x6 e 6x4, com chassi curto (148pol.= 3759 mm) e longo (162pol.= 4115 mm) de distância entre - eixos, com e sem guincho dianteiro, cabine de aço ou lonada, cargueiro, basculante e trator, além de inúmeras adaptações de campo. Embora semelhantes, o Studebaker e o GMC CCKW não partilhavam quase que nada de mecânica, com motores, transmissões e suspensões diferentes entre si.

Studebaker curto com guincho 6x6

Studebaker cabine lonada 6x4

Studebaker cabine lonada 6x6 capturado pelos alemães

Studebaker tractor

Studebaker com adaptação de dupla rodagem dianteira

Studebaker Ice Dozer para limpeza de neve
A União Soviética recebeu quase que a totalidade dos 105.000 da produção do modelo 6x6, assim como a maioria dos 90.000 6x4 produzidos, se transformando no símbolo da Lei Lend & Lease. Na Rússia, os Studebakers eram conhecidos como "Studer". E eram extremamente populares, pela sua robustez, capacidade de receber cargas muito além das previstas e pela capacidade de "digerir" qualquer tipo de gasolina.

Studer deixando Ivan feliz!
Os Soviéticos, após testar nada menos que nove chassis diferentes para a montagem de seus Lança-Foguetes "Katiusha" BM-13-16, estandardizou a arma no chassi do Studebaker US6 em abril de 1943, quando então foi oficialmente designado como "BM-13N", sendo o "N" de "normalized".

Studebaker US6 6x6 BM-13-16N
E foi esta a versão que eu escolhi para a conversão do kit da ICM, pois o padrão Katyusha é quase um sinônimo de Studebaker. E mesmo sendo estandardizado, os Katyusha apresentavam variações de posicionamento de estepes, tanques de combustível, blindagem de cabine, pára-lamas traseiros e outros detalhes mais, que comprovam as diversas linhas de produção desta importante arma.

Duas configurações de Studebaker BM-13 Katyusha
Existia ainda uma versão dos Foguetes BM-13 de longo alcance, bem mais longos, embora mais raros:
Studebaker BM-13 com foguetes de longo-alcance (repare no comprimento dos foguetes)
Para efetuar a conversão, segui a mesma regra de outro trabalho semelhante, usando um kit da Italeri/Zvezda para este fim. O kit é de um caminhão de pós-guerra, o Zil 157.

Especificações:
Motor Hercules, a gasolina, seis cilindros em linha, quatro tempos 5240 cc, com válvulas laterais, 95 CV a 2400 RPM.
Velocidade máxima (6x6): 70 km/h
Dimensões (US6 - Long Chassis): 6325mm x 2230mm x 2700mm
Distância entre - eixos (US6 - Long Chassis): 4115 mm
Peso vazio: 4850 kg.
Capacidade de carga: 2500 kg
Alcance: 390 km.

O Kit ICM:

O kit ICM vem dentro de uma caixa de papelão reforçada, com todas as peças acondicionadas em apenas um saco de plástico, o que não é muito bom para se evitar quebras de peças delicadas. Eu tive sorte, sendo que meu kit não apresentou nenhuma fratura, apenas algumas peças ligeiramente empenadas. O kit é composto de cinco árvores de peças, com a porção do teto da cabine em separado (a minha veio perfeita, mas acho que muitos terão uma péssima surpresa ao abrir o saco plástico único...), além de uma árvore de transparências e de uma boa folha de decais (quatro versões possíveis de montagem). Acompanha o kit um bom livreto de instruções, com figuras bem desenhadas e com um pequeno histórico do kit (russo e inglês). Fui direto observar as rodas deste kit. O detalhamento é fantástico, com marcações do fabricante (Firestone) e etc.

Mas o erro do fabricante é evidente. Os gomos do pneu não deveriam ser coincidentes, mas alternados.

A opção é consertar. Como o pneu é uma peça inteira, resolvi cortar o pneu no sentido longitudinal. Para isto, construí uma ferramenta para ser montada no motor-drill. Medindo a parte interna da roda:

A ferramenta de plasticard cortada com compasso. Os furos radiais serão necessários para fixar a roda na ferramenta:

A adaptação da ferramenta deve ser perfeita, para evitar movimentos excêntricos, ao cortar o pneu...

Antes de fixar a ferramenta na roda, devemos fazer uma marcação no interior da roda, para o futuro realinhamento das metades do pneu:

Agora, vamos amarrar a roda na ferramenta, usando arames de cobre finos, passando pelos furos das rodas e da ferramenta. Veja a seqüência das fotos:


Corte o excesso dos fios de cobre e dobre as pontas para o centro da roda.

Monte a ferramenta com a roda no motor-drill. Este motor deve estar fixo, para o corte ser preciso.

Use uma serra fina de modelismo para cortar o pneu, enquanto o motor gira. Corte com cuidado e com leveza, para não gerar calor excessivo. Trabalhe sempre com a mão e a ferramenta apoiada.

O corte quase se completa. A porção final se rompe com mínima perda de substância de material. Por isso é que a marca de alinhamento é importante.

Remova a ferramenta, cortando os fios de cobre... Cuidado para não danificar o plástico da roda.

Cole com cola líquida, com pequenas gotas aplicadas por dentro da roda, desalinhando os gomos do pneu na banda de rodagem e desalinhando a marcação interna feita a lápis ou tinta.



A fenda resultante da perda de substância provocada pela serra será preenchida com um fio fino de sprue estirado, aplicado na fenda e colado com cola líquida. Veja as fotos:


Após a secagem da cola, lixe a banda de rodagem com cuidado, para não danificar os detalhes dos gomos.



Com isto, o defeito dos pneus está consertado. Vamos para a construção do kit. As peças são muito bem injetadas e seguimos o manual de instruções: Montagem das suspensões e transmissão:

Um dry-run com as rodas, para verificar o alinhamento...

A montagem das porções baixas do chassis continua:


Enquanto o chassi seca, vamos montar a cabine. Muito detalhada e bem injetada:


Componentes da cabine, que deverão ser pintados internamente, para a montagem do kit:

O motor é um kit em separado, uma pequena jóia. Como eu vou montar o caminhão com o hood fechado, não vou instalar o motor original, mas uma moldagem de sua porção inferior, para preencher o espaço do motor no chassi.




Colei o motor e o radiador de resina no chassi, preenchendo o espaço. Depois disto, fiz a montagem do banco e das alavancas de comando:

Pintura da cabine e painel. Os instrumentos do painel, assim como as plaquinhas de transmissão são em decal, o que facilita bastante o trabalho. Bancos, interior das portas e piso da cabine pintados.


A cabine montada, com um dry-run da cabine sobre o chassi, para conferir os alinhamentos:

Agora, novamente o scratch em ação: adaptação do lança-foguetes do kit Italeri: A primeira etapa é o corte dos fenders angulares, típicos do caminhão Zil. Estes cortes devem ser feitos com serra fina, tendo o cuidado para não danificar o bed do lança-foguetes:

Adaptação do bed do lança-foguetes. A espessura do bed coincide perfeitamente com a largura do chassi. A distância do final do chassi é de 10 mm.


Como eu escolhi montar a versão com a roda sobressalente na lateral, usei a peça original da ICM para a roda sobressalente, só que a montarei na vertical. Fiz um círculo com plasticard para a fixação da roda e um círculo menor, para apoiar no orifício da roda. Veja as fotos abaixo:


Um dry-run da roda em seu suporte novo.

Adaptação do frame do lança-foguetes, colagem do tanque de combustível original e do filtro de combustível, do lado esquerdo do caminhão. As alavancas de deriva e de elevação também foram instaladas...

Do outro lado. Repare que a ponta do escapamento foi perfurada com estilete...

Adaptação dos escudos na cabine do Studer: a peça da Italeri deve ser retrabalhada em seu interior, para se conformar no perfil da cabine do caminhão. Com a porção inferior do tanque de combustível do Zil, fiz uma caixa de ferramentas com plasticard e sprue, instalado na porção traseira da cabine, sobre o chassi do Studebaker.

Detalhes da caixa de ferramentas: acessórios feito com folha de alumínio e fios de cobre. As nervuras na lateral da caixa de ferramentas foram feitas com sprue fino.


Agora, a construção dos fenders traseiros. Por serem de bordas finas, usei fios de cobre e folhas de plasticard:

Dimensões das placas de plástico. O plasticard é de 0,5mm de espessura. Os fios de cobre fora dobrados, usando uma lata de tinta Humbrol como gabarito.

Comece colando um dos fios dobrados em uma das pontas do plasticard com Superbonder e usando grampos e clamps, para manter a colagem, Continue a colar em todo o comprimento do fio, dobrando o plasticard gentilmente. Usei tiras de folhas de alumínio para reforçar a colagem. Você pode usar epoxi rápido, também...

Adaptação dos fenders ao chassi do Studer. Usei tiras de plasticard de quatro mm de largura por 50 mm de comprimento, colando o fender ao chassis firmemente. Observe o espaço entre o fender e o chassis. Na porção posterior, colei um fio de cobre mais espesso para reforçar e estabilizar os fenders.

Observe o tubo de escape saindo por dentro do fender, no lado direito do caminhão:

Instalação definitiva dos trilhos dos foguetes e dos apoios traseiros, da Italeri. Os suportes acima dos trilhos foram feitos com sprue estirado e as braçadeiras dos fenders, com folhas de alumínio.


Após a colagem final dos componentes, fiz a pintura-base em Olive-Drab, com caracterização claro&escuro. Uma camada de Future e decais... Não esqueça de isolar o interior da cabine com papel-toalha...

E após todas as etapas de pintura e de weathering, o kit está pronto.
O slogan no hood significa: "Rumo à nossa Vitória!" A corrente é de bijuteria. A pá e as mochilas, de minha caixa de sucatas. E o pneu careca, pendurado na cabine, é do kit do DUKW da Italeri...
Lei da Conservação da Matéria de Panzerserra:
"Em modelismo nada se perde, nada se cria, tudo se transforma!"






Ao lado da CCKW 352 Katyusha, de um artigo anterior:

Conclusão:
O kit da ICM é excelente, muito bem injetado e com mínimas rebarbas e pinos injetores. O maior erro é a banda de rodagem dos pneus que, infelizmente, estão erradas. Mas é um kit fantástico, que veio preencher uma lacuna a que existia há muito tempo no mundo da Militaria 1/35. E, com este kit, é possível se construir diversas versões. Basta um pouco de pesquisa, habilidade e paciência, ingredientes essenciais ao Modelismo.
ALTAMENTE RECOMENDADO.